Dificuldades das mulheres no climatério: Síndrome da Menopausa

O que é o CLIMATÉRIO e as dificuldades das mulheres na fase da menopausa

Antigamente o valor social da mulher era determinado por sua função reprodutiva, e o seu papel social como esposa estava relacionado somente à produção e criação dos filhos. Quando a mulher chegava ao final do período fértil, este era vivido como uma morte parcial, uma vez que a mulher perdia a sua função reprodutora, mas com o advento da industrialização, a mulher deixa esse âmbito de procriação, e passa a conquistar o seu papel social relacionado a uma carreira profissional. Embora ocorram mudanças no fim do período fértil, estas precisam de uma adaptação nesta nova fase da vida (VAN KEEP, 1975).

De acordo com GREER (1994), o conceito médico de menopausa originou-se à partir de um trabalho publicado em 1816 por, C. P. L. de Gardenne, cujo título é Avis ause femmes qui enfrent dans l’ang critique ( Conselho à mulher que entra na idade crítica). Historicamente o termo menopausa era desconhecido para muitas mulheres. As palavras climatério e menopausa derivam respectivamente do grego ‘’klimakter’’, que significa degrau / crise e ’’ mens – mês / pauses – parada’’, sendo que esta é considerada pelos antigos como uma das épocas da vida feminina mais crítica por estar relacionada a mudanças no organismo. Assim como a puberdade o climatério também constitui uma importante transição existencial no ciclo vital da mulher (MALDONADO e CANELLA,1988).

A menopausa significa o ultimo período menstrual, o cessar definitivo da menstruação, podendo ocorrer entre os 48 e 52 anos, resultando no término da atividade ovariana. O período que antecede a menopausa e posterior a ela chama-se climatério, no qual transformações metabólicas e hormonais repercutem sobre o organismo feminino. Durante este período cessa por completo a menstruação, ocasionando endocrinológicamente a diminuição da atividade ovariana, biológicamente existe a redução da fertilidade e clinicamente uma série de alterações nos intervalos menstruais com a ocorrência de possíveis sintomas, (KHAN,1992);(MIRANDA,1994).

Para NECO (1994), o climatério é uma fase que não se escolhe passar, sendo esta uma passagem natural da vida na mulher. Este período caracteriza-se pela queda da produção de estrogênio pelo ovário, ocorrendo uma diminuição dos folículos ovarianos

Para ABREU (1992), a menopausa é vista como a suspensão da menstruação e o climatério o período de transição entre os anos reprodutivos e não reprodutivos, podendo algumas vezes ser associado a sintomatologia. Quando isto ocorre pode-se utilizar o termo síndrome climatérica, a qual vem acompanhada por mudanças ovarianas e metabólicas, além de fatores psicológicos e sócio- culturais, os quais irão afetar a saúde da mulher.

Segundo VAN KEEP (1975), a mulher nasce com cerca de 400.000 folículos no ovário, mas somente 500- 1000 permanecem até a idade de 40 anos.

A principal função do estrogênio é causar a proliferação celular e o crescimento dos tecidos dos órgãos sexuais e de outros tecidos relacionados com a reprodução. Os estrogênios irão agir em alguns órgãos, tais como útero, trompas de falópio, órgãos sexuais femininos externos, mamas, esqueleto, decomposição de proteínas, gorduras, distribuição de pelos, pele e atuação no sistema nervoso central. Além disso, tem efeito sobre o revestimento mucoso das trompas de falópio, nas mamas causam o desenvolvimento dos tecidos do estroma e o crescimento de

um extenso sistema de ductos e a decomposição de gordura das mesmas. Este hormônio também deposita gordura nas nádegas e nas coxas que são características femininas e faz com que a pele desenvolva uma textura macia e lisa (GUYTON e cols, 1997).

No ciclo menstrual normal, o estrogênio é que dará condições ao tecido do útero para revestir-se e preparar-se para uma eventual gravidez. Quando não ocorre fertilização e amadurecimento dos óvulos, eleva-se os níveis de progesterona, a qual irá provocar a eliminação desta camada de revestimento (endométrio), constituindo o sangramento menstrual. A progesterona interromperá a formação do tecido de revestimento que continuaria caso o estrogênio fosse o único hormônio (LANDAU e cols, 1994)

Com a redução hormonal o organismo feminino terá efeitos dramáticos tanto físico, quanto psíquico. Ocorrerá uma redução em todos os caracteres secundários, atrofia dos órgãos sexuais e das mamas, uma redução do turgor e viscosidade da pele, ocorrendo também um aumento de freqüência nos quadros depressivos, perda ou redução do interesse sexual (ZAMIGNANI, 1996).

Segundo TRIEN (1994), considera-se a menopausa precoce quando esta ocorre antes dos 40 anos e a menopausa tardia quando ocorre depois dos 50 anos de idade aproximadamente. No entanto existe a menopausa artificial, que pode ocorrer em qualquer idade e é decorrente da retirada dos ovários por meio de cirurgia ou quimioterapia.

Os sintomas psicológicos mais freqüentes encontrados em mulheres menopáusicas são as diminuições da energia, irritabilidade, dificuldades de

concentração, exaustão nervosa, agressividade, tensão, depressão, introversão, flutuação do humor, ansiedade, cefaléia, insônia e outros. Como esses sintomas

também podem ocorrer em certas doenças psiquiátricas o diagnóstico diferencial é importante (MIRANDA, 1994).

A medida que se chega a esse período ocorrem diferenças individuais, ou seja, cada mulher irá sentir esse período também de uma forma diferente (SHEEHY, 1995).

Segundo TRIEN (1994), a mulher nessa fase passará por um estado psicológico de dúvidas, temor ao futuro, rejeição a sexualidade e irá oscilar entre isolar-se ou desenvolver atividades sociais. Esta crise psicológica é vista como algo inevitável nessa faixa de idade.

Durante este período, os sintomas que acompanham as queixas das mulheres climatéricas podem ser divididos a curto e a longo prazo, com efeito nos vasos sangüíneos, pele, órgãos reprodutores, doenças cardiovasculares e osteoporose (LANDAU e cols, 1998).

A perda da massa óssea ocorre de forma lenta, progressiva e silenciosa, com ausência de sintomas e o seu diagnóstico é feito somente quando ocorrem fraturas, e essa perda acentua-se a partir dos 40 anos de idade (WEHBA e cols, 1994).

Outro ponto importante durante essa fase é o risco de doenças do coração, infarte e hipertensão, pois a composição da gordura no sangue facilita o endurecimento das artérias, (arteriosclerose), caracterizando-se como uma das principais causas da mortalidade entre mulheres no climatério (FRANCISCO e cols, 1996).

Segundo TRIEN (1994), o hábito de fumar também é um fato que pode influenciar a menopausa, pois quanto mais se fuma, maior a probabilidade de se

atingir a menopausa precocemente. Não se conhece ainda qual é o verdadeiro mecanismo, mas poderia haver um estado hipoestrogênico determinado pela nicotina, talvez por metabolizar rapidamente os estrogênios.

Durante esta fase freqüentemente ocorrem as ondas de calor, denominadas também de fogachos. Estas ondas são sintomas bem definidos, principalmente quando ocorrem à noite, pois a mulher acaba despertando muitas vezes durante à noite, interferindo na qualidade do sono, e quando cessa essa onda de calor a mulher pode ter suores e/ou calafrios. Estes calores perduram por 1 a 2 anos e desaparecem gradativamente, embora algumas mulheres relatem duração superior a 5 anos (LANDAU e cols, 1994); (FEBRASGO, 1995).

Para TRIEN (1994), o fogacho e os suores noturnos, poderão acarretar sintomas emocionais, justamente pelo fato do sono ser interrompido várias vezes durante à noite, ocorre uma probabilidade maior da mulher ter insônia e com isso sentir-se irritada, cansada e deprimida durante o dia. A dilatação e contração dos vasos sangüíneos por ocasião de cada fogacho, contribui para as dores de cabeça, palpitações e irritabilidade.

Percebe-se que muitas mulheres passam pelo climatério sem problemas. As estatísticas indicam que apenas 25 % podem apresentar os sintomas de fogachos e sudoreses, e esses episódios duram no máximo 60 segundos, podendo tornar-se freqüente, ou pode ser desencadeado devido a ansiedade, nervosismo, ambientes fechados ou crises de melancolia. Poderá ocorrer também formigamento dos pés e das mãos ou outras alterações psicossomáticas, segundo (DUARTE, 1996).

Cerca de 25 % das mulheres menopáusicas apresentam sintomas sérios, as quais se recomenda a TRH, enquanto 50 % apresentam sintomas insignificantes que duram cerca de um ano e as 25 % restantes não sentem nenhum sintoma característico do climatério ( GREER, 1994).

GONÇALVES e WEHBA (1990), referem que há na cultura brasileira uma falsa imagem de que a mulher neste período não tem mais vida sexual, salientando que de um modo geral as pessoas acham feio e não aceitam que uma mulher que está na meia idade queira namorar, desconsiderando que a sexualidade não é só ato sexual, mas que envolve toda uma afetividade, sendo esta essencial ao ser humano.

Ainda segundo observações destes autores, dentre os fatores que atuam na sexualidade da mulher durante o climatério destaca-se a idade biológica pois, a medida que se envelhece ocorre uma diminuição gradual de todas as funções do organismo. Há também a idade cronológica, que nem sempre corresponde com a idade biológica ou psicológica, ou seja, o ficar velho é diferente para algumas mulheres, pois podem existir mulheres velhas aos 30 anos e jovens aos 70 anos. Outro fator importante são os problemas conjugais, aos quais atribui-se raiva, infidelidade, tensões familiares, preocupações econômicas e doença dos filhos. Estes fatores podem resultar no desinteresse sexual da mulher ( id).

De acordo com TRIEN (1994), o marido pode ajudar a esposa neste período, um bom casamento é uma importante fonte de amor e apoio emocional, e disso decorrerá menos problemas da mulher com a menopausa.

DUARTE (1996); ZAMIGNANI (1996) ; LANDAU e cols (1998), esclarecem que o desinteresse sexual nesta fase se dá por conta de alterações físicas da esfera genital, atrofia e diminuição da lubrificação vaginal, sendo que estes aspectos irão atrapalhar a relação sexual, pois devido a esta redução hormonal, a pele da vagina ficará mais sensível e diante disso, poderá ocorrer uma diminuição do desejo sexual. Estas alterações podem provocar dor e desconforto durante o ato sexual, interferindo na qualidade do mesmo.

Essas circunstâncias juntamente com os problemas do cotidiano irão afetar o lado emocional da mulher, deixando-a deprimida. Porém, esses problemas relacionados a sexualidade podem ser resolvidos com o uso de cremes vaginais, visitas ao ginecologista ou ainda não pensar nos problemas e sofrimentos. A mulher deve se redescobrir recuperando sua auto-estima (id).

Para MALDONADO e CANELLA (1988), o climatério é um período que constitui importante transição existencial no ciclo vital da mulher. Percebe-se que numa cultura na qual a juventude e a estética do corpo, são conceitos valorizados, o processo de envelhecer irá envolver a sensação de perda, da capacidade de procriação, do vigor físico, do medo do declínio e da perda da sexualidade. Partindo desse pressuposto, poderá surgir neste período, apreensões, ansiedade e depressão.

De acordo com NAHOUM e SIMÕES ( 1989), os problemas emocionais que a mulher vivencia como o crescimento dos filhos, que irá ocasionar o afastamento destes, a perda de entes queridos, o distanciamento do marido, cuidar dos pais idosos, e outros, acabarão por desencadear conflitos que serão atribuídos erroneamente a menopausa, uma vez que são vivenciados justamente neste período, ao passo que muitas vezes a menopausa acabará funcionando como justificativa para suas queixas.

Para TRIEN (1994), algumas mulheres sofrem uma depressão emocional temporária durante este período de transição, geralmente sentem-se melancólicas ou mal-humoradas, e em alguns casos perdem o entusiasmo. Essa autora esclarece que neste período também ocorre a síndrome do ninho vazio, quando os filhos crescidos saem para seguir seus próprios caminhos e algumas mulheres passam a

sentir-se desorientadas e desnecessárias. Por outro lado mulheres que irão vivenciar esse momento como algo positivo, pois com a saída dos filhos, o casal pode passar a viver melhor.

A síndrome da menopausa pode estar relacionada a diversas causas, sendo estas físicas, emocionais, sociais e culturais. Embora esta fase influencie na mudança do corpo e saúde da mulher, ela não pode ser responsabilizada por todas as conseqüências naturais do envelhecimento. Contudo a menopausa em si já é uma fonte de tensão na meia idade, e esses problemas contribuem para que ocorram sentimentos de ansiedade. Somando-se a esses fatores, ainda há a visão pessimista que a sociedade tem em relação a mulher idosa (id).

Todavia, essa crise irá atingir com maior intensidade as mulheres de caráter mais rígido, que limitam seus interesses, pois para aquelas que têm um compromisso com a vida, cuja a capacidade de procriação não é tão relevante e que tem interesses mais amplos, esta etapa será percebida apenas como mais uma fase de transição natural (MALDONADO e CANELLA, 1988).

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