Como combater a obesidade infantil: Fatores ambientais que influenciam na obesidade infantil

Influências na obesidade em crianças – Doença da obesidade em crianças

Saito (1987, apud Barbosa, 2001), coloca que para se entender a obesidade é necessário levar em consideração as inúmeras variáveis que influenciam a relação indivíduo-alimento, uma vez que o ambiente externo atua de forma significativa nos hábitos alimentares do indivíduo, independente da predisposição genética.

doença da obesidade infantilConfirmando essa teoria ambientalista da obesidade, nota-se que nas regiões mais desenvolvidas, onde o processo industrial está altamente modernizado e acompanhado das mudanças de hábitos alimentares, a obesidade é muito mais freqüente (Escrivão e cols., 2000).

Wang, Monteiro e Popkin (2002) realizaram uma pesquisa onde foram analisados os índices de obesidade dos quatro países mais populosos e industrializados do mundo (Estados Unidos da América, Rússia, China e Brasil). Para o Brasil usou-se os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 1975 a 1997 como comparação. A pesquisa considerou crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos. A porcentagem de crianças com peso excessivo durante esse período passou de 4,1% para 13,9%. Nos Estados Unidos o índice pulou de 15,4% para 25,6% e na China de 6,6% para 7,7%. O único país em que se verificou queda foi a Rússia que passou de 15,6% para 9%.

Segundo esta pesquisa os índices de sobrepeso e obesidade infantil no Brasil triplicaram nas últimas três décadas.

Para se explicar esse grande aumento da incidência da obesidade, não se pode fugir das teorias ambientalistas, já que nas últimas décadas não ocorreu nenhum tipo de mudança significativa nas características genéticas de tal população, enquanto que as mudanças ambientais e comportamentais foram enormes. A prática de assistir televisão por várias horas, a difusão de jogos eletrônicos e da informática, a substituição dos alimentos caseiros pelos alimentos industrializados e altamente calóricos, a substituição das refeições principais por lanches, o desmame precoce, o enriquecimento da alimentação infantil com complementos mais saborosos, o grande estímulo da mídia no consumo de doces, são fatores que devem ser considerados na determinação da obesidade infantil (Escrivão e cols., 2000).

Silva (1993) aponta outros fatores que também assumem grande importância no estudo da obesidade. Esses fatores são baixa atividade física e maior consumo de alimentos ricos em gorduras. Para ele, na sociedade atual e nos grandes centros urbanos as crianças estão tendo cada vez menos oportunidade para gastar suas energias (adquiridas através da alimentação) que acabam, consequentemente, por acumular-se em forma de gordura. Cada vez menos as crianças tem tido espaço e tempo para desempenhar atividades físicas comuns, como andar de bicicleta, correr, pular… Ao contrário disso passam boa parte do dia em salas de aulas (sentados), em casa assistem televisão (deitados ou sentados), fazem suas tarefas escolares, e quando encontram tempo para brincar o fazem em lugares pequenos, não podendo gastar a quantidade de calorias necessárias. Acompanhando esse sedentarismo infantil, ocorre uma elevada ingestão de doces ou iguarias cujo teor calórico é alto.

Halpern (2001) complementa afirmando que as atividades praticadas pelas crianças de hoje em dia, são insuficientes para o gasto de toda as calorias ingeridas. As crianças já não saem mais as ruas para atividades como as de antigamente; hoje a maioria das crianças passa grande parte do tempo confinadas em apartamentos e residências pequenas, utilizando televisões, vídeo games, computadores, o que contribui para a diminuição dos gastos calóricos.

Quando a criança pratica algum tipo de atividade física, que não necessariamente precisa ser um esporte, ela estará estimulando seu organismo através da produção de calor, a eliminar o excesso de energia acumulado pela dieta (termogênese), e aumentando conseqüentemente seu gasto energético. Percebe-se porém, que atualmente as crianças têm estado cada vez mais sedentárias (Dâmaso, Teixeira e Curi, 1995). Isso acaba fazendo com que o balanço energético dessas crianças torne-se desequilibrado, criando um círculo vicioso difícil de ser quebrado, em que o sedentarismo leva à obesidade e a obesidade ao sedentarismo (Silva, 1993).

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Obesidade em crianças: Sobrepeso e fatores que influenciam na obesidade infantil

A obesidade é um problema crônico multifatorial, porém, a literatura existente é bastante divergente quanto as suas causas.

criança muito gordaBarbosa (2001) afirma que a obesidade é fortemente influenciada pelo ambiente, embora possíveis transmissões genéticas possam aumentar a probabilidade de um indivíduo tornar-se obeso. Já Halpern (2001) afirma que os fatores biológicos influenciam muito mais a obesidade do que o meio ambiente. Segundo o autor, uma série de estudos demonstra a influência da herança genética na obesidade, como por exemplo estudos feitos com filhos adotivos nos quais houve uma maior incidência de filhos obesos correlacionados com seus pais biológicos do que com seus pais adotivos.

Além dos estudos com filhos adotivos, Halpern (2001), cita também em seu livro, a descoberta em 1994, de uma substância chamada leptina. A leptina é uma proteína produzida e secretada por adipócitos maduros e é codificada (em camundongos) pelo gene ob. Ela atua como sinal de saciedade aferente a um circuito de feed back (Meinders e Toornvliet, 1996 apud Escrivão e cols, 2000), ou seja, tem por função auxiliar na queima de calorias e “avisar” o organismo através do hipotálamo que já está na hora de parar de comer.

Essa substância foi estudada em camundongos obesos mutantes (raça ob/ob) que nascem obesos e permanecem obesos por toda a vida. Esses camundongos produzem leptina não ativa e portanto, não recebem o sinal de saciedade, ingerindo desta forma, quantidade excessiva de alimentos e ganhando peso exageradamente. Além de não conseguirem ter a sensação de saciedade, ainda apresentam redução na capacidade de queima de calorias. Quando há administração exógena de leptina ativa nesses roedores, ocorre uma redução drástica da ingestão alimentar e conseqüentemente do peso corporal. Houve grande expectativa quanto ao tratamento da obesidade após a descoberta da leptina, levantando-se até a hipótese de que indivíduos obesos poderiam ter sensibilidade diminuída a tal substância, no entanto esse experimento apesar de muito significativo, por enquanto só foi visto em roedores, não tendo resultados diretamente generalizáveis para seres humanos. Mas ainda assim abriu portas para compreender o que ocorre com o hipotálamo em relação ao hábito de comer maior ou menor quantidades de alimentos (Escrivão e cols., 2000; Halpern 2001).

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Obesidade como doença: Fatores que contribuem para a obesidade na infância e na adolescência

Os índices de sobrepeso e obesidade infantil no Brasil triplicaram nas últimas três décadas.

Os fatores genéticos interagem com os fatores ambientais determinando a suscetibilidade à obesidade. Os fatores hereditários envolvidos na obesidade e no sobrepeso não são totalmente compreendidos ainda, embora desde a medicina antiga acredita-se que exista um componente genético para a obesidade, ainda não se pode determinar qual gene e de que forma ocorre tal transmissão, a pré-disposição pode ser observada apenas empiricamente. Em contrapartida as evidências de que fatores ambientais contribuem para o aumento de peso são muito mais claras e abundantes.

Quando pai e mãe são obesos, a chance de seus filhos serem igualmente obesos é de 80%. Quando só um dos pais sofre de obesidade, a chance do filho ser obeso cai para 50%. Agora, se os pais têm peso normal, a probabilidade de seus filhos tornarem-se obesos é menor que 10%

A obesidade, indiscutivelmente, tem um caráter familiar, mas é impossível afirmar se as tendências são genéticas ou os hábitos alimentares que determinam o meio ambiente

As pessoas podem nascer com pré-disposição para engordar (herança), mas só engordarão se houver uma oferta generosa de alimentos associada aos maus hábitos alimentares (ambiente). Muitas vezes herança genética e fatores ambientais estão tão integrados que se torna impossível diferenciar suas respectivas contribuições.

A prática de assistir televisão por várias horas, a difusão de jogos eletrônicos e da informática, a substituição dos alimentos caseiros pelos alimentos industrializados e altamente calóricos, a substituição das refeições principais por lanches, o desmame precoce, o enriquecimento da alimentação infantil com complementos mais saborosos, o grande estímulo da mídia no consumo de doces, são fatores que devem ser considerados na determinação da obesidade infantil

esses fatores ambientais podem ser complementados incluindo as más relações intrafamiliares, os distúrbios afetivos entre os membros da família e os grandes conflitos.

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Criança com uma perna maior do que a outra – Doença de Blount – Abaulamento do osso da perna

A doença de Blount é caracterizada por perturbações do crescimento da parte interna da extremidade superior da tíbia, levando progressivamente a deformidade óssea com angulação ligeiramente abaixo do joelho (varão da tíbia).

deformidade nas pernas - criança com uma perna maior do que a outra

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Em 60% dos casos, a doença provoca problemas nas pernas e dificuldade na marcha da criança. A prevalência é desconhecida. A obesidade infantil é um fator que contribui nesta doença

Clinicamente, os pacientes com doença Blount apresentam abaulamento e diferença no comprimento da perna, tendo uma perna maior do que a outra. Esta diferença nos membros inferiores é uma proeminência medial proximal da tíbia.

A Obesidade e marcha precoce são fatores predisponentes para o desenvolvimento do transtorno.

As causas subjacentes são controversas: ela parece ser uma doença multifatorial, mas a contribuição dos fatores genéticos é desconhecida.

A doença de Blount só pode ser diagnosticada em crianças com mais de dois anos de idade, como pode ocorrer fisiologicamente por danos no varão da tíbia.

A deformidade grave não tratada precocemente pode levar a artrite degenerativa do joelho.

O tratamento deve ser adaptado a cada criança e um programa ortopédico é uma opção, porém caso mais grave associado à dor pode ser necessário intervenção cirúrgica.

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Obesidade Infantil: Conseqüências sociais, psicológicas e orgânicas da obesidade infantil.

crianças obesas - obesidade infantil

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O crescimento cada vez maior de casos de obesidade infantil em todo o mundo pode até ser considerado uma pandemia.

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Veja as consequencias da obesidade infantil

Veja sobre doenças causadas pela obesidade

Veja aspectos psicológicos da obesidade infantil

A obesidade pode ser considerada como uma doença, porém, uma doença curável.

O excesso de peso traz para o obeso, de uma forma geral, diversos desgostos e aborrecimentos, tanto na área física, quanto na estética, na área social e na área psicológica.

Quando a obesidade ocorre na infância, esse problema se torna ainda mais sério, pois é nesse período e início da adolescência que o número de células adiposas de um indivíduo são definidas.

A ingestão calórica excessiva, por tempo prolongado, leva a hiperplasia (crescimento exagerado de um órgão por proliferação exagerada das células) ou hipertrofia (crescimento exagerado de um órgão por aumento de tamanho das células) do tecido adiposo da criança.

Porém a obesidade infantil não produz apenas conseqüências físicas, mas também diversos distúrbios de ordem psicossociais, diminuindo a qualidade de vida e aumentando o número de respostas emocionais inadequadas.

Os problemas psicológicos do obeso, no entanto, não podem ser generalizados, pois a estrutura mental é uma particularidade de cada pessoa. O que pode se dizer é que indivíduos obesos não só podem ter distúrbios psicológicos pelo seu excesso de peso, como também que seus problemas psicológicos contribuam para a perpetuação de sua obesidade exógena.

Observa-se que crianças entre seis e nove anos mostram menor propensão em unir-se com crianças obesas para quaisquer tipos de atividades sociais e (ou) recreativas, enquanto sentem-se mais motivadas a engajar-se em atividades com crianças normais quanto ao peso.

Os distúrbios de identidade e auto-imagem em crianças obesas também se mostram significativos.

O excesso de peso afeta negativamente a imagem corporal, trazendo efeitos sérios sobre a forma da criança pensar e sentir-se a respeito de si mesma.

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Conseqüências da Obesidade Infantil na Saúde da Criança e do Adolescente

consequencias da obesidade infantil

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A obesidade na infância e adolescência deve ser vista como um grande problema de saúde, principalmente pelo fato de que há uma enorme chance de perpetuação na vida adulta.

 

 

 

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As conseqüências que o excesso de peso acarreta para o indivíduo são sérias, podendo-se citar as cardiopatias, diabetes, hipertensão, como exemplos, indicando que há necessidade de atenção para o problema.

O surgimento de hipertensão arterial está fortemente associado a obesidade infantil. Muitos estudos têm mostrado que na obesidade há elevação do débito cardíaco, e expansão do volume sanguíneo como causa do aumento da pressão arterial.

Existe uma relação praticamente direta entre pressão arterial e peso corporal, através de pesquisas realizadas por meio de estudos longitudinais, pode-se perceber o aumento da pressão arterial ocorrendo paralelamente ao aumento de massa corpórea, e o inverso ocorreu com aqueles sujeitos que tiveram diminuição de massa corpórea.

 

Complicações ortopédicas são bastante freqüentes na obesidade, pois o excesso de peso provoca uma série de traumas nas articulações.

 

As articulações dos joelhos e o deslocamento da epífise da cabeça do fêmur são as regiões mais afetadas em indivíduos obesos.

 

Dentre os problemas estéticos, pode-se citar principalmente as alterações dermatológicas como estrias, celulites, fragilidade da pele nas regiões das dobras, com tendências às infecções fúngicas, com escurecimento da pele nas axilas e no pescoço.

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Conseqüências da Obesidade Infantil – Conseqüências psicológicas e emocionais da obesidade na criança e no adolescente

Além do desconforto, das complicações físicas e orgânicas da obesidade infantil, como algumas doenças que ocorrem com maior probabilidade em pessoas obesas, a obesidade infantil também trás conseqüências emocionais e psicológicas para crianças e adolescentes.

 aumentando o número de respostas emocionais inadequadas.
obesidade infantil consequencias psicológicas

obesidade infantil consequencias psicológicas

Os problemas psicológicos do obeso, no entanto, não podem ser generalizados, pois a estrutura mental é uma particularidade de cada pessoa.

 

O que pode se dizer é que indivíduos obesos não só podem ter distúrbios psicológicos pelo seu excesso de peso, como também que seus problemas psicológicos contribuam para a perpetuação de sua obesidade.

 

A mídia exerce uma pressão e uma influência muito grande na sociedade. Muitas vezes é a mídia que define padrões aceitáveis de normalidade através de conceitos estatísticos.

 

A criança e o adolescente obeso enfrentam dificuldades diárias, sendo vítimas tanto de preconceitos externos quanto do próprio auto-preconceito.

 

 A criança obesa, por sentir-se discriminada, tende ao isolamento social. Situações de atividades físicas ou relacionamento com outras crianças, podem representar para ela motivo de esquiva, o que contribui para inatividade e imaturidade social.

 

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Obesidade Infantil: Diferença entre sobrepeso e obesidade

Para diagnosticar a obesidade infantil é necessário que se faça a distinção entre sobrepeso e obesidade.

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Sobrepeso é diferente de obesidade.

 

Entende-se por obesidade um excesso de gordura acumulada em todo o corpo que representa uma porcentagem muito maior em relação à massa magra, enquanto que sobrepeso pode ser definido apenas como um excesso de peso previsto para o sexo, altura e idade, de acordo com padrões populacionais de crescimento.

 

Além disso, o sobrepeso representa apenas um risco do indivíduo tornar-se obeso, já a obesidade traz prejuízos à saúde.

 

Quando a obesidade ocorre na infância, esse problema se torna ainda mais sério, pois é nesse período e início da adolescência que o número de células adiposas de um indivíduo são definidas.

A indução de ingestão calórica excessiva, por tempo prolongado, leva a hiperplasia (crescimento exagerado de um órgão por proliferação exagerada das células) ou hipertrofia (crescimento exagerado de um órgão por aumento de tamanho das células) do tecido adiposo da criança.

 

Embora que ainda possa haver perda de peso posterior a formação do quadro de obesidade na infância, através da diminuição do tamanho das células, não ocorre a diminuição da quantidade, permanecendo esse indivíduo com tendência para engordar por toda a vida. 

O armazenamento de gordura nas células se dá de forma lenta e progressiva. Talvez por esse motivo, as pessoas não consigam dar tanta atenção para isso nos primeiros anos de vida das crianças e somente muito depois é que percebem o tamanho do problema que terão que enfrentar.

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